Conversa com a Fundadora, Mônica Borges

Você teve uma motivação pessoal para fundar o ICAFE?

"O que me motiva é Gratidão por ter recebido da vida imensas e imensuráveis riquezas, de tal grandeza que só me resta “Servir” para que a vida possa fazer sentido. Mas também há uma coisa que me mantém muito motivada: A sensação do Poder.

Deixa eu explicar: constantemente ouço que Brasil não tem mais jeito, que nossos políticos são corruptos e começa uma ladainha de verdades, mas, também, de grandes mentiras, porque todos nós podemos e devemos contribuir para melhorar nossa vizinhança, nossa cidade, nosso país. Podemos inspirar, doar, dar exemplo, compartilhar, votar consciente, deixar de dizer que nada podemos e que a mudança está sempre na mão do outro."

Li numa revista uma frase que acho que serve aqui: 'Se você não está sendo impulsionado como ser humano, você está no projeto errado'." 

Qual foi ou foram seus maiores desafios?

"Lidar com a desconfiança."

Pode explicar um pouco mais?

"Existe sim almoço de graça e pessoas prontas e desejosas de servir. Só não é comum. No Brasil é quase que exceção. Temos poucos voluntários comprometidos, temos poucas empresas verdadeiramente engajadas em um projeto social. Existem inúmeros casos de instituições fraudulentas. Então, fazemos parte de um grupo ainda pequeno da população, que acredita que pode contribuir pra construir um mundo melhor. Isso causa estranheza e desconfiança."

Qual ou quais problemas o ICAFE pretende minorar ou resolver?

"O aumento do alcoolismo e do uso de drogas entre jovens do meio rural."

Como você acredita que pode combater isso?

"É muito simplista falar de uma única causa e de uma única solução. O que acreditamos é que ter acesso a oportunidades de aprendizado que passam pelo coração, como dançar, cantar, tocar, representar, pintar, empreender, ler, compartilhar experiências e cuidar do meio ambiente, com absoluta certeza, é estimulante, libertador e engrandecedor. Ultrapassa a técnica, eleva a autoestima. Esse é nosso trabalho. Montamos bibliotecas, lan-house, oferecemos cursos de música, teatro, fotografia, capacitação profissional. Promovemos inúmeras rodas de conversa. Abrimos espaços de convivência e aprendizado."

Quais foram as maiores conquistas do ICAFE?

"De fato, nossa maior conquista foi muito sutil; a timidez, os olhares dirigidos ao chão, agora, olham de frente, olham de igual. Os números mostram isso também: aumento do número de jovens ingressando na universidade; aumento de procura por vagas nos cursos do ICAFE; baixíssima taxa de desistência; não há dependência de drogas entre nossos alunos; aumento expressivo do número de voluntários...

O que você gostaria de dizer aos seus parceiros, voluntários, amigos, professores diretores da ONG?

"Obrigado! Obrigado por acreditar e aceitar nosso convite para dançar, tocar, cantar, representar, aprender novos ofícios, plantar árvores. Por financiar alegria, dar esperança e criar oportunidades. Por doar seu trabalho e seu tempo, por não ser indiferente, nem passivo. Por encorajar os sonhos e fortalecer indivíduos."

O ICAFE trabalha com vários projetos, tem algum que te apaixona mais?

(Risos...) "Todos! Mas adorei as Rodas de Conversa utilizando o “Teatro do Oprimido”, porque é incrível como abre um canal de expressão para os participantes. Adorei o projeto Estrada Linda que trabalhou a consciência ambiental e reuniu 200 plantadores de Ipês, plantando 1500 mudas. Ah! Ia me esquecendo, amei realizar o Festival Cultural Café e Arte."

Os projetos terminam ou têm continuidade?

"Temos workshop de música, fotografia, projetos de média duração, como informática, costura, empreendedorismo, e temos, ainda, os projetos continuados, como o de música." 

O que gostaríamos de saber é se o Plantio de Árvores e o Festival Café e Arte vão ter continuidade?

"Então, nossa intenção é dar continuidade e aprimorar. Mas tudo tem um custo financeiro que. às vezes, não conseguimos arcar. Este ano vamos fazer o projeto Cidade Linda para arborizar nossa cidade e o Festival, programado para 7 de setembro, que ainda estamos lutando para captar recursos."

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